Vagabundo que olhas para mim
Tens olhos brilhantes a pedires apenas o mais simples
Roupas sujas e esfarrapadas
O teu mundo é cor cinza enrugado
Teu futuro é apenas a esperança de um sim de ajuda
Estende a tua mão sobre a minha
Que mundo é esse que queres mostrar a toda a gente mas que ninguém o quer conhecer?
Porque entraste nesse mundo e queres ficar ai a espera que alguém entre e que fique ai?
Olha me e diz me o que sentes
És o chamado o mendigo de uma sociedade materialista
Não consigo ouvir a tua voz..
Que silencio é esse tão pesado???
Vejo a tua volta o mundo do cartão onde te tentas aquecer, que tentas te esconder…
Olha para mim… não é preciso palavras para falares
Vejo nos teus olhos existe apenas as saudades do passado
Cai uma lágrima sobre o teu rosto…
O chão que pisas é onde te deitas sem querer saber de mais nada
Não te importas…
Cai mais uma lágrima e agora um sorriso se esconde
Vejo as tuas noites…
O teu alimento são pedaços de comida atirados nos caixotes do lixo
Ou apenas esperas que os supermercados fechem para ir buscar tudo o que passou de prazo de validade….
Chove… ficas a olhar para o céu, sentes a chuva a tocar te e esperas
Começas a andar no teu passo lento
Sigo-te…
Andas a procura de um sitio onde possas fugir da chuva
E encontras uma ponte…
Não tens medo de estares aqui?
Respondes-me com um sorriso…
Começas a procura de alguns paus .. fazes uma fogueira…
Este lugar já não é tão sombrio….
Olhas para a fogueira e estendes as mãos enrugadas aquece-las….
Fico com sono… peço te um abraço e construímos assim dois mundos
Duas realidades
Duas vivências
Dois presentes com uma simbologia distinguida entre sorrisos e lágrimas
Entre desconhecimentos e aprendizagens
Adormeço sobre o teu colo…
E sonho que a tua face foi gravada no meu olhar…
Obrigada.

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